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Marchinhas proibidas no Carnaval - Medida politicamente correta ou chatice?

Marchinhas proibidas no Carnaval - Medida politicamente correta ou chatice? Featured

"Em minha opinião, muito mais do que defesa de minorias, o que está havendo atualmente no Brasil é um excesso de chatice e de censura esquerdista"

 

Por Renato Ferreira

O carnaval de 2017 já está a todo vapor no Brasil. E, há varios dias, mesmo antes do desfile das famosas escolas de samba, os blocos pré carnalescos já invadiram as ruas do país e vão tocar até muito depois da Quarta-Feira de Cinzas, sobretudo, em cidades do Nordeste, como Salvador, Recife e outras.

Mas, em 2017, um novo bloco entrou na avenida. São os "politicamente corretos", pessoas que se dizem de esquerda e progressistas, que querem banir marchinas tradicionais, que há muitas décadas embalam o carnaval dos brasileiros, seja nas ruas ou em salões de norte a sul do país.

Com certeza, mais de 90% dos brasileiros já ouviram, cantaram ou dançaram ao som de marchinhas, como "Olha a Cabeleira do Zezé", "Maria Sapatão" e "Mulata Bossa Nova", como tantas outras. Só que neste ano, os "polticamente corretos" querem proibir essas músicas no carnaval. Para eles, elas são preconceituosas e homofóbicas. Mas, será que são mesmo? Ou isso não passa de chatice ao extremo?

A decisão de alguns blocos de não tocar versos considerados machistas, racistas e homofóbicos é bastante polêmica e divide opiniões. Há quem diga que os versos “o teu cabelo não nega, mulata/porque és mulata na cor/ mas como a cor não pega, mulata/ mulata, eu quero o teu amor” são racistas e, por isso, não devem ser mais executados. Por outro lado, muita gente acredita que as marchinhas são marcas de um tempo e, portanto, não devem ser banidas, pois, elas, são até uma forma de relembrar como a sociedade já pensou um dia.

Essa é a posição, por exemplo, defendida pelo cantor e compositor mineiro Matheus Brant, um dos idealizadores do Me Beija Que Eu Sou Pagodeiro. Matheus até acha que algumas marchinhas podem ser preconceituosas e denfende a prática de se fazer paródias delas. "Temos também que ficar mais atentos á diversidade",

Mineira, a intérprete Corina Magalhães gravou "Ai que saudades da Amélia", de Mário Lago e Ataulfo Alves, no álbum Tem mineira no samba. A música foi considerada, por alguns blocos cariocas, inadequada para rodas de samba no Rio, mas Corina não vê problema. “Amélia nasceu de uma brincadeira. O irmão da Aracy de Almeida falava da Amélia, que era uma empregada que lavava e passava para ele”, conta. Para ela, essa canção não tinha o propósito de desmerecer as mulheres e falava de uma Amélia que de fato existiu.

“Sou intérprete e gosto de trazer para o meu repertório músicas antigas.” Corina diz que nunca recebeu críticas ao executar esse samba: “As pessoas adoram. Todo mundo canta.”

Contradições

Já ouvi várias vezes que a expressão "a coisa aqui tá preta" seria racista. Mas, ao mesmo tempo, já ouvi também que é preconceituso dizer "Ovelha negra da família". Quem está certo ou quê está certo? Tudo isso não seria excesso de preciosismo e até mesmo muita hipocrisia de que defende o políticamente correto?

Dá mesma forma, a gente não vê essas pessoas ligadas a partidos políticos de esquerda criticarem,por exemplo, a belíssima e rica música "Meu caro amigo", de Chico Buarque, que repete em todos os versos o refrão: "Mas, o que eu quero lhe dizer é que a coisa aqui tá PRETA...". Ou será que daqui a pouco, algum progressista vai dizer ao Chico que ele terá que mudar isso para: "eu quero lhe dizer que a coisa aqui tá AFRO DESCENDENTE?

Há uns quinze dias, o narrador do Esporte Interativo, André Henning, sofreu uma saraivada de críticas e foi chamado de "racista".  No jogo entre Real Madrid e Napoli pela Liga dos Campeões, quando o senegalês Kalidou Koulibaly afastou uma bola de cabeça, ele descreveu: "meteu a cabeça preta na bola branca, o Koulibaly". Houve também quem o defendesse, mas, o narrador recebeu muitas críticas. Hoje, é até perigoso você pedir azeitons pretas num restaurante e ser chamado de racista. Será que precisamos chegar a tanto?

Também ainda não vimos nenhuma crítica contra essa moderna e pobre música: "Meu pau te ama". Outro dia, um pai ainda jovem, me disse que não sabia o que responder para a sua filhinha de nove anos, que lhe perguntou sobre o que quer dizer esse verso.

Patrulha e censura

Mas, voltando às marchinhas tradicionais, será que o bloco dos politicamente corretos, pensa que proibindo a execução dessas músicas no carnaval, eles vão proibir também as pessoas de ouvirem a "Cabeleira do Zezé" dentro de casa ou em seus carros?. Ou será que em breve algum deputado de esquerda vá apresentar um projeto proibindo isso também, como fazia os militares na ditadura?

Sou totalmente contra a qualquer tipo de preconceito, mas, em minha opinião, muito mais do que defesa de minorias, o que está havendo atualmente no Brasil é um excesso de chatice e de censura esquerdista. E pra mim, nenhuma ditatura presta, nem a militar e nem a civil. (Renato Ferreira, com informações do site UAI)

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